Malala Yousafzai e Taliban: violência e patriarcado

Por: Luiza Mançano*

O grupo fundamentalista Taliban é um assunto frequente na mídia por suas ações sexistas e, recentemente, pela acusação de envenenarem meninas estudantes.  Apesar de não haver confirmação de que o grupo é o responsável pelos envenenamentos, e das informações chegarem até nós pela grande mídia, de maneira imprecisa, tendenciosa e reducionista, anteontem, o Taliban ganhou destaque mais uma vez, pelo ataque realizado à estudante paquistanesa Malala Yousafzai, de 14 anos. Malala escrevia no blog “Diário de uma estudante paquistanesa”, hospedado pela emissora BBC, onde denunciava o fechamento de escolas no vale do Swat, área de atuação do grupo. Segundo as notícias, o porta-voz do grupo teria assumido a autoria do ataque, justificando que as ações da menina desrespeitaram a Sharia.

Porém, o que está em debate aqui não é a crítica à Sharia ou ao Islã, nem a afirmação de que os valores ocidentais são um exemplo de respeito à vida das mulheres. Nossa crítica é direcionada à interpretação realizada pelo grupo, que instrumentaliza a leitura da religião para legitimar as situações de dominação, de violência e de exclusão em relação às mulheres.

Manifestação de mulheres paquistanesas contra o atentado, em que esteve presente Saleta Ahar, integrante do Comitê Internacional da MMM.

Acreditamos que a militarização reflete a divisão dos papéis no patriarcado: o conceito de masculinidade é associado à violência e às armas, levando a uma ideia de que as mulheres necessitam de proteção dos homens, e que são eles os responsáveis pelas decisões que afetam nossas vidas, restringindo nossa autonomia. Portanto, repudiamos todos os tipos de violência contra a mulher em situação de conflito, seja ela realizada por governos, forças paramilitares, grupos de guerrilhas, capacetes azuis da ONU ou por parte de seus maridos ou parentes.

Reafirmamos nossa luta pelo reconhecimento integral dos direitos das mulheres e pelo direito à educação para a paz e não-sexista, e oferecemos nossa solidariedade à Malala Yousafzai e às mulheres afegãs e paquistanesas.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

* Luiza Mançano é estudante de Letras da USP e militante da Marcha Mundial das Mulheres – São Paulo.

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