Lésbicas e bissexuais feministas em marcha

<!–[if !mso]> st1\:*{behavior:url(#ieooui) } <![endif]–>

Aqui tem mulher lésbica, feminista e revolucionária!
Hoje no Brasil, experimentamos uma série de contradições em relação aos direitos da população LGBT. De um lado, nunca tivemos tanta visibilidade na sociedade, na mídia e nas manifestações: na 2ª Marcha Nacional LGBT Contra a Homofobia no dia (18/05), 3.500 pessoas marcharam em Brasília. Do outro, a homofobia e lesbofobia estão cada vez mais visíveis, uma realidade manifesta no aumento de violência contra homossexuais no país: em 2010, foram assassinados/as 260 homossexuais, um aumento de 31,3% em relação a 2009[1]. Para combater essa homofobia / lesbofobia, de um lado o governo lança o “Disque 100” (em fevereiro) que recebe denúncias e oferece apoio, mas, de outro, suspende a distribuição do kit ‘Escola sem homofobia’, cedendo à pressão homofóbica / lesbofóbica da bancada evangélica e católica na Câmara.
As contradições também existem entre o âmbito judiciário e legislativo, onde houve avanços e retrocessos recentes: na mesma época em que a STF reconhece a união estável para casais homoafetivos, os setores conservadores – entre congressistas e deputados/as (liderados pelo Jair Bolsonaro, PP-RJ) – conseguem bloquear a votação do PLC122/06, um Projeto de Lei que visa criminalizar a descriminação motivada pela orientação sexual e identidade de gênero[2].
Nesse cenário, a heterossexualidade obrigatória é reforçada como um dos pilares que sustenta a sociedade patriarcal e capitalista. A sexualidade continua sendo padronizada conforme os papeis ‘naturais’ de mulheres e homens, perseguindo e estigmatizando como “minoria” qualquer um/a que fuja desse padrão – seja por conta da sua sexualidade, sexo ou cor da pele.  
Nessa 9ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo, estamos em marcha mais uma vez, para exigir nosso espaço como sujeitos políticos e para visibilizar nossas lutas.
Nós lésbicas e bissexuais feministas recusamos a redução da nossa sexualidade às fantasias e fetiches masculinos. Nossa sexualidade não se constrói em função dos homens. Não somos objetos sexuais e não precisamos de um homem para sentir prazer. A nossa sexualidade não é uma ‘opção’, nem uma ‘preferência’. Ela é válida e queremos vivenciá-la com autonomia! Estamos na rua para visibilizar o nosso jeito de amar e de fazer sexo.
Não aceitamos ser toleradas conforme o prazer dos homens. Lutamos pela transformação da sociedade heteronormativa, machista e racista, na disputa pela visão da sociedade que queremos construir, na qual as relações sociais entre mulheres e homens sejam verdadeiramente iguais.
Recusamos a redução do sexo à reprodução. A família nuclear obrigatória (pai, mãe, filhos/as…) não corresponde à nossa realidade. Temos o direito de ser, ou de não ser mães e de ter acesso aos serviços públicos que nos permitem tomar essa decisão: saúde sexual, planejamento familiar, aborto seguro e gratuito…
Denunciamos a ofensiva dos setores conservadores e a imposição dos seus padrões religiosos nas nossas vidas privadas e públicas. Não somos santas, nem putas. Rejeitamos essa falsa dicotomia e o moralismo que a acompanha.
Enquanto lésbicas e bissexuais, denunciamos os xingamentos e as agressões que sofremos no espaço público, os espancamentos no espaço doméstico, o estupro corretivo, e a responsabilização das vítimas pela própria violência por elas sofridas (roupa errada, cabelo errado, comportamento errado).
Basta de lesbofobia! Basta de violência e de ameaças de violência, utilizadas como ferramentas de controle das nossas sexualidades, vidas e corpos, e de castigo contra aquelas que não se conformam aos padrões da sociedade (de beleza, de trabalho ‘adequado’ para uma mulher, de amante e esposa, de maternidade obrigatória).
Marchamos pelo fim da mercantilização das mulheres e das nossas lutas. Estamos repolitizando o espaço público, as ruas, e as manifestações populares e culturais. Não aceitamos que nossas lutas sejam comercializadas, gerando lucro para o mercado.
Somos feministas lésbicas e bissexuais da Fuzarca Feminista, núcleo jovem da Marcha Mundial das Mulheres, organizadas junto com nossas companheiras heterossexuais na construção da sociedade que queremos, até que todas sejamos livres. 
“Sou feminista, não abro mão,
Da liberdade do meu tesão!”
9ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo: Liberdade, Saúde e Autonomia
25 de junho de 2011
12h – Concentração
Praça Oswaldo Cruz, frente ao Shopping Paulista


[1] Dados do Grupo Gay da Bahia – GGB
[2] A Marta Suplicy, senadora PT-SP, sugerirá um adendo ao projeto para tentar sua aprovação no Senado antes de voltar para a Câmara

Comments

  1. Parabens pelo texto!
    P f, ajude a divulgar a sentença do juiz de SP, convertendo união estável homossexual em casamento
    http://comerdematula.blogspot.com/2011/06/ontem-horrores-hoje-alegria-das-falas.html

  2. Lei que visa criminalizar a descriminação motivada pela orientação sexual e identidade de gênero.

    Aqui, em dEscriminação, o correto é dIscriminação, com a letra I.

    sufixo DES significa negação, contrário. Está empregado incorretamente.
    Aliás, está deixando a frase paradoxal, já que se fala em criminalizar a descriminação.

    No mais, ótimo texto.

    Indiquei ele no meu facebook hj, pelo dia do orgulho LGBT

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!

%d bloggers like this: