A Globo Precisa ouvir Pagu

Há quem (ainda) pense que este mundo é igualitário, e que também não existe desigualdade nas relações entre homens e mulheres. Este modo de enxergar a sociedade contribui para que a opressão sofrida pelas mulheres fique invisível, que não saibamos que as mulheres ainda ganham cerca de 30% menos que os homens, que a cada 15 segundos uma mulher sofre violência no Brasil e que o aborto inseguro está entre as principais causas de morte materna no país.
A mídia (Golpista!) é um dos principais agentes a mascarar a desigualdade, mostrando que hoje em dia as mulheres são “livres” e o machismo é algo antiquado e tende a desaparecer, como se as mulheres não tivessem que seguir um padrão de beleza imposto, aliás, pela própria mídia que afirma não haver machismo; como se o trabalho doméstico não fosse realizado majoritariamente pelas mulheres além da jornada de trabalho, entre tantas outras situações que, ao exigir que sejamos verdadeiras “mulheres maravilhas”, oprimem e confirmam a atualidade e necessidade da luta feminista por igualdade.
Para não perder o costume, no ultimo domingo, na emissora de televisão Rede Globo, exibiu no programa do Faustão um quadro chamado “Maratoma”. A disputa deste domingo foi entre os homens CDFs e as mulheres BBGs (Boas, Bonitas e Gostosas), para conferir acessem: http://tvglobo.domingaodofaustao.globo.com/maratoma/. Incrível! As mulheres gostosas, bonitas e boas, nunca poderiam ser CDFs que como os homens!? Não parece ser esta a mensagem? Mais uma vez esta sociedade machista mostra sua face rotulando a mulher como apenas um corpo bonito e supostamente sem capacidade, como se as mulheres não pudessem fazer o que os homens fazem, como se não existissem mulheres bonitas e inteligentes…
Afora este rótulo, as cenas não dão o enfoque na disputa por si só e sim em closes nas bundas e peitos das mulheres, como se fôssemos mercadorias a sermos prontamente vendidas em horário comercial pela televisão! Há quem possa retrucar: “Mas elas são livres! Escolheram mostrar o corpo na televisão, fazem isso porque querem ou gostam…” Aos adeptos desse (falacioso) discurso, saibam que às mulheres são reservados apenas alguns papéis na sociedade, temos somente poucas perspectivas: ou somos “freiras”, e aceitamos a maternidade, o casamento e tantas outras coisas como nossa obrigação, ou somos “putas”, devendo ser sempre gostosas, bonitas para satisfazer a virilidade masculina…
Esse programa foi e é mais um exemplo de como a sociedade, (e a mídia golpista, porque é também machista) mercantilizam o corpo e a vida das mulheres, usando peitos e bundas para aumentar o ibope, reforçado os estereótipos.
“Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem!”
Por Caroline Bernardo e Mariah Aleixo, militantes da Marcha Mundial das Mulheres /PA


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